Eu tenho uma amiga genti que gosta mais da poesia de Clarice do que de chocolate com morango. A mulher não se aguenta e vive mandando pequenos trechos que ilustram o esqueleto de seus devaneios. Lá vai!
Para me refazer e te refazer volto ao meu estado de jardim e sombra, fresca realidade, mal existo e se existo é com delicado cuidado. Em redor da sombra faz calor de suor abundante. Estou viva. Mas sinto que ainda não alcancei meus limites, fronteiras com o quê? sem fronteiras, a aventura da liberdade perigosa. Mas arrisco, vivo arriscando. Estou cheia de acácias balançando amarelas, e eu que mal e mal comecei a minha jornada, começo-a com um senso de tragédia, advinhando para que oceano perdido vão meus passos de vida. E doidamente me apodero dos desvãos de mim, meus desvarios me sufocam de tanta beleza. Eu sou antes, eu sou quase, eu sou nunca. E tudo isso ganhei ao deixar de te amar.
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Eu tenho uma amiga que fica toda sensível em epóca de fim de ano….sabe como é né? Então, a chiquita me mandou o poema abaixo, do Drummond, para uma melhor reflexão do ano que virá.
Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez,
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui pra diante vai ser diferente.
(Carlos Drummond de Andrade)
Sinceramente prefiro não pensar muito sobre o ano que se passou, a ano que virá, o que começa, o que termina….sei lá…..prefiro lembrar das palavras de dona Lina
“O tempo linear é uma invenção do Ocidente, o tempo não é linear, é um maravilhoso emaranhado onde, a qualquer instante, podem ser escolhidos pontos e inventadas soluções, sem começo nem fim.”

Beber inspira o ser humano, já dizia Vinícius de Moraes. Nesse sentido, Eu tenho um amigo que quando embriagado também tem seus devaneios.
Seja poesia ou nao, acredito que sempre vale registrar os momentos.
Aí vai o pensamento do rapá
“O Mano”
Quando eu tiver um mano, ele vai se chamar Herrar.
Porque Herrar é o mano!
Fin.
(This is what happens when you drink on your day off)
Post também publicado no blog http://eutenhoumamigo.wordpress.com
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Eu tenho uma amiga que, vai dia volta dia, nao se cansa de ler o poema Teu Segredo da Clarice
Flores envenenadas na jarra. Roxas azuis, encarnadas, atapetam o ar. Que riqueza de hospital. Nunca vi mais belas e mais perigosas. É assim então o teu segredo. Teu segredo é tão parecido contigo que nada me revela além do que já sei. E sei tão pouco como se o teu enigma fosse eu. Assim como tu és o meu.

